Câmara Municipal entra em período decisivo a partir de 10 de novembro
A Câmara Municipal, a partir de 10 de novembro, quando serão retomadas as sessões legislativas, entrará em uma fase de grande movimentação.
Os vereadores, em seu conjunto, como integrantes do Poder Legislativo Municipal, terão de decidir se serão protagonistas da política petropolitana, como foram no passado, ou se atuarão apenas como coadjuvantes nesse processo, arcando com as consequências que poderão surgir, principalmente nas eleições de 2028.
Além das diversas matérias que entrarão em pauta, como a Lei Orçamentária para 2027 — cuja perspectiva não é muito saudável para o Município, diante da perda de sua capacidade de investimento —, haverá também o processo eleitoral para a escolha do novo presidente da Câmara Municipal para o próximo biênio, 2027-2028. A disputa já está em curso, com discussões nos bastidores.
Mas o principal fator de movimentação será a determinação judicial para que seja votado o pedido de abertura de impeachment do prefeito Hingo Hammes, de autoria do advogado Moisés Borges. Ele conseguiu uma liminar na 4ª Vara Cível, obrigando a Câmara Municipal a colocar o pedido em votação.
Além desse, os vereadores ainda terão de apreciar o pedido de abertura de impeachment do prefeito Hingo Hammes protocolado pelo vereador Leonardo França.
A situação no Legislativo Municipal não é muito favorável ao prefeito Hingo Hammes. Muitos vereadores estão insatisfeitos com o governo municipal, enquanto o prefeito enfrenta um desgaste crescente junto à população.
Criticado não apenas pelos moradores — inclusive por muitos petropolitanos que votaram nele, em uma manifestação clara de esperança e de rejeição aos candidatos da época —, o prefeito também vem sendo alvo de críticas de diversos setores da sociedade petropolitana.
Entidades representativas e organizações não governamentais cobram, quase diariamente, um projeto e uma resposta do Governo Municipal para os problemas existentes. E vale ressaltar que eles não são poucos. Segundo várias pessoas com quem conversei, a principal crítica ao chefe do Poder Executivo é a falta de um posicionamento público sobre os problemas e de uma proposta de recuperação econômica e social da cidade.
De acordo com um vereador com quem conversei, está cada vez mais difícil evitar um processo de impeachment do prefeito. Segundo ele, a falta de um posicionamento público vem transformando a esperança que muitos tinham em desespero e no desejo de que o governo chegue ao fim.
Esse vereador, que integra a base de apoio ao governo, afirmou ainda que algumas medidas adotadas até o momento não tiveram o resultado esperado e, em alguns casos, acabaram piorando a situação.
Ele citou como exemplo a intervenção na empresa de ônibus Turp. Em sua avaliação, após a intervenção da Prefeitura, o serviço piorou. O vereador ressaltou que, nesse caso, outros problemas surgiram e que, mesmo assim, a população continua sofrendo.
Outro vereador mencionou os decretos de calamidade financeira e a reforma administrativa, que, segundo ele, não reduziram os custos da Prefeitura.
Um político que apoia o governo chegou a afirmar que o prefeito conhece os problemas da cidade, pois esteve à frente do Executivo interinamente durante quase um ano. Além disso, quando foi eleito, já tinha conhecimento dos problemas relacionados ao ICMS e das dificuldades que enfrentaria com os repasses. No meio político, muitos são unânimes em afirmar que não entendem a postura do prefeito, mesmo continuando a apoiá-lo.
É importante lembrar, porém, que um pedido de abertura de impeachment do chefe do Poder Executivo Municipal, além de envolver a apuração de eventual crime administrativo, é também um ato político. Nesse processo, a bancada de apoio ao governo municipal e a oposição buscam conquistar os votos dos vereadores indecisos e insatisfeitos, seja para rejeitar, seja para aprovar a abertura do processo.
