Dissonância entre o discurso de alguns parlamentares com a vida real do petropolitano
Na segunda-feira, 29 de setembro, durante a audiência para a apresentação do 2º Quadrimestre da Saúde, na Câmara Municipal de Petrópolis, foi notável como alguns vereadores, já nove meses após o início do novo mandato, continuam enredados no discurso de campanha. Em vez de focarem na responsabilidade da atual administração em gerir adequadamente os recursos e prestar serviços eficientes à população, eles insistem em apontar falhas do governo anterior.
É de conhecimento geral os desafios herdados pela nova gestão, principalmente no que diz respeito ao repasse do ICMS. No entanto, o atual prefeito, após uma breve administração interina e, depois com a coleta de informações ao longo de três anos e, de forma precária no processo de transição, estava ciente das dificuldades que enfrentaria ao assumir oficialmente o cargo.
Um exemplo disso foi a recusa em apoiar o aumento de verbas para a merenda escolar, mesmo sendo alertado por uma vereadora, ainda em 2024, sobre a iminente falta de recursos para essa área essencial.
Não é suficiente atribuir culpa à gestão anterior; é necessário que os atuais gestores assumam suas responsabilidades e busquem soluções para os problemas existentes. O que vemos, ou pelo menos é noticiado que estão fazendo tentando achar solução para aumentar, principalmente, a arrecadação própria, ao mesmo tempo que busca recursos federais e estadual.
Da mesma forma, os vereadores devem ir além dos argumentos sobre a “herança maldita” e cumprir com o dever para o qual foram eleitos: fiscalizar as contas municipais com imparcialidade e propor melhorias concretas, não projetos, programas e ações que causam ainda mais despesa ao empobrecido orçamento municipal.
Infelizmente, nas últimas legislaturas, tem-se observado um certo descaso de muitos parlamentares com suas obrigações, além de tentativas de deslegitimar colegas que desempenham diligentemente seu papel de legisladores. Assim como ocorre no Congresso Nacional, o parlamento municipal também reflete um abismo entre o discurso e as reais necessidades e expectativas da população que enfrenta diariamente as consequências dessas incoerências.
